Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana
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Na Romênia, um homem dizia sempre a seu filho:
Publicado: quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
- Haja o que houver, eu sempre estarei a seu lado

Houve , nesta época um terremoto de intensidade muito grande, que quase arrasou as construções lá existentes.

Estava nesta hora este homem em uma estrada.

Ao ver o ocorrido, correu para casa e verificou que sua esposa estava bem, mas seu filho estava na escola. Foi imediatamente para lá. E a encontrou totalmente destruída. Não restou, uma única parede de pé...

Tomado de uma enorme tristeza ficou ali ouvindo a voz feliz de seu filho e sua promessa. (não cumprida).

"Haja o que houver, eu estarei sempre ao seu lado".

Seu coração estava apertado e sua vista apenas enxergava a destruição.

A voz de seu filho e sua promessa não cumprida o dilaceravam.

Mentalmente percorreu inúmeras vezes o trajeto que fazia diariamente segurando sua mãozinha.

O portão (que não mais existia)...

Corredor...

Olhava as paredes, vendo aquele rostinho confiante...

...passava pela sala do 3º ano, virava o corredor e o olhava ao entrar: Até que resolveu fazer em cima dos escombros, o mesmo trajeto.

Portão...

Corretor...

Virou a direita...

E parou em frente ao que deveria ser a porta da sala. Nada! Apenas uma pilha de material destruído.

Nem ao menos um pedaço de alguma coisa que lembrasse a classe.

Olhava tudo...desolado...

E continuava a ouvir sua promessa:

- "Haja o que houver, eu sempre estarei com você".

E ele não estava...

Começou a cavar com as mãos.

Nisto chegaram outros pais, que embora bem intencionados, e também desolados, tentavam afastá-lo de lá dizendo:

- Vá para casa. Não adianta, não sobrou ninguém.

- Vá para casa.

Ao que ele retrucava:

- Você vai me ajudar?

Mas ninguém o ajudava, e pouco a pouco, todos se afastavam.

Chegaram os policiais, que também tentaram retirá-lo dali, pois viam que não havia chance de ter sobrado ninguém com vida. Havia outros locais com mais esperança.

Mas este homem não esquecia sua promessa ao filho, a única coisa que dizia para as pessoas que tentavam retirá-lo de lá era:

... Você vai me ajudar?

Mas eles também o abandonavam.

Chegaram os bombeiros, e foi a mesma coisa...

- Saia daí, não esta vendo que não pode ter sobrado ninguém vivo? Você ainda vai por em risco a vida de pessoas que queiram te ajudar, pois continuam havendo explosões e incêndios.

Ele retrucou:

- Você vai me ajudar?

- Você está cego pela dor – não enxerga mais nada. Ou então é a raiva da desgraça.

- Você vai me ajudar?

Um a um todos se afastavam.

Ele trabalhou quase sem descanso, apenas com pequenos intervalos, mas não se afastava dali.

5 hs / 10 hs / 12 hs / 22 hs / 24 hs / 30 hs...

Já exausto dizia a si mesmo que precisava saber se seu filho estava vivo ou morto. Até que ao afastar uma enorme pedra, sempre chamando pelo filho, ouviu:

Pai...estou aqui!.

Feliz fazia mais força para abrir um vão maior e perguntou:

- Você está bem?

- Estou. Mas com sede, fome e muito medo.

- Tem mais alguém com você?

- Sim, dos 36 da classe, 14 estão comigo; estamos presos em um vão entre dois pilares. Estamos todos bem!

Apenas se conseguia ouvir seus gritos de alegria.

- Pai, eu falei à eles: Vocês podem ficar sossegados, pois meu pai irá nos achar. Eles não acreditavam, mas eu dizia a toda hora..."Haja o que houver, meu pai, está sempre a meu lado".

- Vamos, abaixe-se e tente sair por este buraco.

- Não! deixe eles saírem primeiro...

- Eu sei que haja o que houver...você está me esperando!
Rubens dos Santos Craveiro
Presidente do S.T.E.F.Z.S

 
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