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Causo de Ferroviário
Publicado: segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Quando os trens ainda circulavam abundantemente nas linhas de Paraguaçu havia um bom sistema de segurança na circulação; Para um trem que vinha de Cardoso de Almeida, o agente de Paraguaçu tinha que pedir licença Sapesal para fazer esse trem avançar até aquela estação. Essa licença configurava-se no acionamento de uma corrente elétrica que possibilitava ao agente em Paraguaçu retirar de um dispositivo um bastão que era entregue ao maquinista para com ele seguir até Sapesal. Entre o controlador do tráfego, o agente de Paraguaçu e o agente de Sapesal era comum um diálogo como:- ---Paraguaçú, já tem a licença de Sapesal para prosseguir o trem? Perguntava o controlador. ---Estou pedindo e ela deve dar a qualquer momento, respondia Paraguaçu. No ramal de Botucatu a Bauru, havia duas estações vizinhas:- Pai Mathias e Mãe Maria, o que na mesma circunstancia, levava necessariamente a um estranho e malicioso diálogo:- ---Pai Mathias, já pediu aí para Mãe Maria? Perguntava o controlador. ---Estou pedindo e ela não deu ainda, respondia o agente. ---Insiste aí, ela tem que dar logo. Passado alguns minutos, novamente:- ---Pai Mathias..., Mãe Maria já deu? ---Acaba de dar, respondia o agente. ---Ótimo, não vamos atrasar esse trem. E tinha a história do Maquinista Lameirão que gostava de abusar da velocidade mesmo nos trechos onde se recomendava circular com cuidado. Assim sendo ele abusou na subida de Espigão e causou o descarrilhamento de um vagão. Como de praxe passou um telegrama para o Chefe da Divisão:- Do maquinista Lameirão para o Chefe da Divisão. Comunico que na subida do Espigão, forcei um pouco a tração e derrubei um vagão. Passado dois dias veio a resposta:- Do Chefe da divisão para o maquinista Lameirão. Pela sua bonita poesia, fica suspenso tres dias. Nos tempos antigos era comum a promoção por tempo de serviço e era comum pessoas sem a cultura necessária ser promovido a Chefe. Assim sendo um Chefe de Estação, descontente com a falta de fornecimento de material para a limpeza da estação, escreveu ao seu superior reclamando e iniciou a sua missiva desta maneira:- ---Senhor Inspetor de Estações. --- o fim da picada... Também tinha a história do paraibano vindo do nordeste no trem ouro verde, cujo sono era sempre interrompido pelo chefe de trem exigindo a exibição do bilhete, que era picotado afim de caracterizar a conferencia bem como inutiliza-lo no termino da viagem. Quando o mesmo chefe o exigiu pela terceira vez, o paraibano aborrecido colocou o bilhete na ponta de uma peixeira e o ofereceu ao chefe de trem. Este, cuidadosamente retirou o bilhete da ponta da peixeira, colocou-o diante da janela aberta, puxou de um revolver calibre 22 e picotou o bilhete com um tiro, recolocando-o novamente na ponta da peixeira do paraibano. Daí em diante os dois não trocaram mais do que sorrisos que insinuavam a valentia de cada um. No meio ferroviário, aconteciam a mais inusitadas situações, tais como:- Um ferroviário honesto, assíduo, caprichoso em seus afazeres, companheiro e amigo de todos, falhou numa tarefa e sua falha poderia ter causado um acidente. Seu Chefe lamentava que tivesse que comunicar a sua culpabilidade; Pois, tratar-se-ia da primeira irregularidade na folha corrida daquele funcionário. Foi aí que apareceu aquele outro, cuja folha corrida era um verdadeiro Pau de galinheiro segundo os jargões da época, de tão sujo que era o seu Curriculum junto Empresa e pediu ao Chefe que desse o seu nome como responsável pela irregularidade, acrescentando que, uma cagada a mais ou a menos não lhe faria diferença. Com essa atitude ele salvou a situação de seu amigo que manteve a sua folha corrida íntegra, sem nenhum registro a negredi-la. Posteriormente o fato circulou a tona da sociedade ferroviária e perceberam que o mais lindo gesto pode advir de onde menos se espera.

Email: jotapinheiro1940@hotmail.com
Este causo foi enviado por: João Pinheiro

 
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